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Desigualdade é palavra-chave para o momento econômico, marcado pela falta de oportunidades que o mundo enfrenta. Só para se ter exemplos de como isso se traduz na prática, de toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Do outro lado, a metade mais pobre da população global – 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada. No Brasil, há cinco bilionários com patrimônio equivalente ao da metade mais pobre do País, chegando a R$ 549 bilhões em 2017 – 13% maior em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os 50% mais pobres do Brasil tiveram sua “riqueza” reduzida no mesmo período, de 2,7% para 2%. Os dados são da organização não governamental OXFAM, de atuação internacional, que, desde os anos 1950, defende e incentiva o desenvolvimento sustentável.
Julho de 2018. No mês em que as atenções estavam voltadas para a Copa do Mundo de Futebol na Rússia, logo depois de um fatídico 2x1 frente à Bélgica, a Seleção Brasileira se despediu do torneio. Ainda durante o jogo, começou a caça às bruxas: responsabilidade atribuída aos jogadores, à comissão técnica e à preparação para as partidas. Porém, um alvo é escolhido: o meio-campista Fernandinho, jogador do Manchester City da Inglaterra. Uma sequência de erros dentro das quatro linhas foi o estopim para uma enxurrada de críticas nas redes sociais do meio-campista. Mas os comentários extrapolaram a exposição de ideias e tornaram-se ofensas racistas. Não uma, não dez, mas milhares de comentários criminosos escancarados para quem quisesse ler na rede social com o maior número de usuários no planeta: o Facebook.
Há pouco mais de dez anos, surgia no bairro do Capão Redondo, periferia da capital paulista na zona sul, e um dos mais carentes da cidade, o projeto Fábrica de Criatividade. Criada pelo empreendedor Denilson Shikako, de 34 anos, – que cresceu na região e se formou em Computação e em Música – a consultoria de inovação nasceu em 2007 e funciona até hoje na mesma sede. Atualmente, atendendo grandes empresas do País, ainda mantém projetos sociais na região, sempre com a motivação de criar e o desejo de transformar.
Outras imagens, presentes em periódicos científicos, mostram como serão os úteros artificiais, capazes de gestar um bebê, desde a fecundação, até sua completa formação, sem necessitar de um corpo materno. E mais, esse processo de gestação, hoje futurista, poderia inclusive ser controlado por máquinas e algoritmos, que irão compreender a necessidade de cada feto em receber nutrientes e estímulos físico-químicos. Isso tudo que presenciamos é inovação, e inovação disruptiva, aquele modelo de inovação que rompe com padrões consolidados e apresenta novas propostas, nos fazendo repensar nossa relação com o mundo.
O avanço da tecnologia, além de possibilitar um olhar para o que pode ocorrer no futuro, prevendo possibilidades e desafios, leva o psicanalista Christian Dunker, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais celebrados profissionais da área no País, a buscar na História alguns passos para a compreensão do sujeito e para a identificação de novas formas de sofrimento, que se associam às transformações pelas quais o mundo passa na relação entre Ciência, Técnica e Ética.
A evolução tecnológica e as mudanças comportamentais delas derivadas trazem não só o desafio de preparar crianças e jovens, como também o de propor uma educação que prepare os adultos para a clareza de riscos e a necessidade de construção conjunta do futuro e permitam uma atitude mais consciente dos processos de inovação.
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